Gestão Educacional

A importância da gestão educacional nas escolas
Educadores já discutem gestão como fator fundamental nas instituições de ensino.

A palavra gestão é sinônima de administração. Toda e qualquer empresa necessita de uma administração, mas a prática gerencial pode ser muito mais abrangente atingindo as instituições educacionais. Daí vem a tão falada Gestão Educacional. Com o objetivo de propiciar às instituições de ensino uma administração eficiente, que colabore qualitativamente para as demais atividades desenvolvidas, a área de Gestão Educacional vem ganhando cada vez mais espaço dentro dessas instituições, superando o antigo pensamento que apenas empresas necessitavam de gestão e que as escolas e demais instituições educacionais não deveriam utilizar desse tipo de perspectiva. A gestão escolar como é concebida atualmente, perpassa por uma transformação. Dela, participam os seguintes integrantes: diretor de escola, coordenador pedagógico, assessor pedagógico, orientador educacional e vocacional, supervisor educacional e gestor de sala de aula e todos os funcionários. Estes profissionais estão envolvidos para efetivar uma unidade de ação no estabelecimento de ensino, voltada para a construção de excelência, em torno dos seus objetivos.
Assim, a gestão educacional pode envolver uma gestão participativa, democrática e educativa. Nesse contexto, é válido destacar que a família também tem um papel importante dentro deste conjunto de gestores. Todos estes elementos fazem parte da gestão escolar e a cada uma destas pessoas cabe uma função. Juntas, elas planejam as avaliações, métodos didáticos, eventos. Enfim, tudo o que estiver relacionado ao processo de ensino/aprendizagem. E este planejamento é feito através do Projeto Político Pedagógico (PPP), que tem o objetivo de orientar a todos, inclusive as famílias, tanto na construção quanto da aplicação efetiva das ações. “A gestão é o carro-chefe de toda e qualquer instituição educacional. Mas hoje, identificamos que muitas pessoas não sabem de sua importância e de sua visibilidade. A gestão tem que ter uma visão global e específica, e nós sentimos que ainda está bastante fragmentado. Uma das dificuldades que observo é que a responsabilidade da gestão não está nas mãos das pessoas corretas, pois são poucas pessoas que estão capacitadas para trabalhar com isso”, afirma a professora Zenilda de Abreu Cavalcante.
Para que a escola melhore a sua Gestão Educacional e supere os entraves acima destacados, a educadora Francinete Braga Santos faz algumas recomendações. “E preciso uma atualização contínua, pois quando todas as potencialidades são desenvolvidas, tudo evolui. Falta mais ousadia nos profissionais da educação, ou seja, é preciso que eles avancem em todos os sentidos do conhecimento e da pesquisa. Não esperar que alguém faça algo e, também, criar algo novo”, afirmou. Segundo ela, ainda existem dificuldades nas instituições em trabalhar a questão da Gestão Educacional. “A educação, assim como a sociedade, passa por grandes mudanças. E é preciso se adaptar a essas mudanças. Para isso é necessário rever a gestão das empresas como um todo, em especial das escolas, já que, hoje, recai na formação humana, uma formação mais holística. O ser humano precisa ser conhecedor dos seus direitos e deveres, e contribuir para a solução dos problemas que afligem o mundo. E o gestor é o grande articulador desta mudança”, ressaltou a educadora.
Para Francinete Braga não há mais como fugir da realidade de que a escola é uma empresa. “A empresa tem os seus princípios, sua organização e seus fundamentos. Com isso, podemos dizer que a escola é de fato uma empresa. Agora, o gerenciamento desses processos tem que prever que é uma empresa diferente, até porque lida com pessoas e com as suas formações. E são essas pessoas que voltarão para a sociedade para dar a sua contribuição”, explicou a educadora que está, pela segunda vez, na organização da II Conferência de Gestão Educacional, que acontece em setembro e terá importantes palestrantes na abordagem do tema.

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O Que Faz e Pensa o Gestor Escolar?

Pesquisa mostrou que esses profissionais ainda se preocupam muito mais com a burocracia que com o pedagógico

Os diretores de escolas públicas no Brasil trabalham aproximadamente dez horas por dia. Eles têm, em média, 46 anos de idade – e menos de oito no exercício da função. Em seu cotidiano, as prioridades da agenda são cuidar da infraestrutura, conferir a merenda, vigiar o comportamento dos alunos, atender os pais, receber as crianças na porta, participar de reuniões com as secretarias de Educação e providenciar material. Sobra pouco tempo para conversar com professores, prestar atenção nas aulas e buscar a melhoria do ensino, a meta essencial da escola.

Essas são as principais conclusões de uma pesquisa inédita realizada pelo Ibope entre maio e junho deste ano, a pedido da Fundação Victor Civita. Foram ouvidos 400 diretores de escolas públicas em Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo. Cada entrevista durou cerca de 50 minutos e abordou desde características pessoais até a relação com as redes de ensino e com as equipes dentro das escolas. Nesta reportagem, você vai conhecer um pouco mais do perfil desses profissionais, com base em sete aspectos:
– rotina de trabalho,
– formação inicial e continuada,
– responsabilidades pedagógicas,
– autonomia na função,
– relação com as políticas públicas,
– perspectivas para a Educação
– formas de seleção para o cargo.

No dia a dia, os diretores passam muito tempo cuidando de tarefas administrativas – e pouco tempo com questões pedagógicas. Segundo a pesquisa, 90% verificam a produção da merenda todos os dias. O mesmo vale para a supervisão dos serviços de limpeza (84%), o fornecimento de lápis e papel (63%) e a conferência das condições das carteiras (58%). Ainda entre as tarefas que são desempenhadas diariamente, 92% afirmam dedicar tempo para atender pais, 74% para receber os alunos na porta e 89% para observar o relacionamento entre os funcionários e a comunidade. Porém 50% não acompanham as reuniões semanais entre os professores e a coordenação pedagógica. E 25% reconhecem que nunca olham os cadernos dos estudantes para verificar a evolução da aprendizagem. 

Uma parte dos diretores ouvidos reconhece que tem negligenciado as atividades pedagógicas, mas a maioria aprova a rotina que adota. Para Maria Luiza Alessio, diretora de Fortalecimento Institucional e Gestão da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), o gestor que cuida apenas de administração e infraestrutura esquece que isso só faz sentido quando utilizado como meio para melhorar o desempenho das turmas. “É por isso que à frente de quase todas as unidades há diretores que foram professores e deveriam se lembrar da importância do trabalho de sala de aula”, afirma.

45% tratam de questões burocráticas e de orçamento todos os dias.

Isso mostra que, em vez de prevenir, eles remediam e acabam comprometendo cada vez mais tempo com questões sem ligação direta com o pedagógico.

Formação e responsabilidade

Questionados sobre a formação, os diretores apontam uma preocupante contradição: 93% acham que sua primeira formação foi boa ou excelente, mas só 15% consideram que o curso (Pedagogia ou licenciatura numa das disciplinas do Ensino Fundamental) os preparou para o exercício da função de diretor. Ou seja, a faculdade é boa, mas não serve para o que acontece nas escolas… Talvez por isso os cursos específicos de gestão escolar oferecidos pelas redes públicas sejam tão bem avaliados: 89% dos diretores dizem que essas atividades colaboraram muito para a melhoria de seu trabalho.

89% dizem que os cursos de gestão escolar oferecidos pelas redes contribuíram muito para melhorar seu trabalho na escola.

O número reforça a forte demanda dos diretores por aulas de como gerir uma unidade escolar, que não são dadas em sua formação inicial de educador.

Outra contradição aparece quando os diretores são questionados sobre quem é o responsável pelas notas baixas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Pela ordem, os “culpados” são o governo (48%), a comunidade (16%) e o professor (13%). O aluno, que é vítima do mau ensino, aparece com 9% das citações. Em seguida, vem a escola, com 7%. E o próprio diretor, o que ele tem a ver com o mau desempenho dos estudantes? Só 2% dos consultados acham que têm responsabilidade nisso. Numa visão distorcida, se veem como “importantes para a aprendizagem” (66%), mas não se colocam em cena quando o ensino fracassa.

Quem é o responsável

A maioria diz que a responsabilidade pela nota baixa no Ideb é do governo e o diretor aparece como o menos responsável

Quem é o responsável

O mesmo vale para a questão da autonomia no dia a dia. Diante de múltiplas opções, 57% afirmaram que, se pudessem ter mais poder na condução da escola, melhorariam as condições do prédio. Outros 53% escolheram mais liberdade para contratar ou demitir professores. E os aspectos pedagógicos simplesmente inexistem, segundo a pesquisa do Ibope.

57% escolheriam melhorar as condições do prédio se tivessem mais autonomia sobre a escola.

A opção por investimentos estruturais foi a que mais apareceu e mostra a percepção dos diretores de que as reformas e ampliações das escolas são insuficientes.

Políticas públicas e a Educação

Apesar de culparem o governo pelos maus resultados no Ideb, os diretores reconhecem avanços na política educacional. Questionados sobre os principais avanços nos últimos dez anos, as respostas (espontâneas) mais citadas foram: a oferta de cursos de formação em serviço (30%), o surgimento das avaliações externas (22%), a distribuição de materiais didáticos (22%), a compra de equipamentos (17%) e a criação do Bolsa Família (13%).

Graças a isso, os diretores brasileiros têm uma visão razoavelmente otimista sobre a Educação – hoje e, sobretudo, no futuro. Para 13%, a situação atual é boa – 53% opinam que é regular, 24% que é ruim, e 9%, péssima. E como estará o país daqui a dez anos nesse setor? Os gestores preveem um cenário ainda mais animador: 6% acham que o sistema educacional estará excelente, 58% bom, 24% regular, 5% ruim e 7% péssimo. “A princípio, esses números chegam a causar estranheza, diante de tantos problemas no dia a dia das escolas. Mas provavelmente os diretores fazem comparações com a realidade dos anos 1980 e 1990, quando as escolas recebiam muito menos ferramentas e formação de parte dos governos”, acredita Adriana Cancella Duarte, do Departamento Escolar da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Visão otimista

A maioria vê a situação atual da Educação no Brasil como regular e acha que daqui a dez anos ela estará boa ou até excelente.

Visão otimista

Seleção para o cargo

Finalmente, as formas de seleção para ocupar o cargo de diretor escolar também fizeram parte do levantamento encomendado pela Fundação Victor Civita ao Ibope. A eleição para diretor passou a ser (nas cidades pesquisadas) a principal forma de seleção para o cargo: 45% dos ouvidos foram eleitos, ante 25% que fizeram concurso público específico para a função e 21% nomeados ou indicados pelo secretário de Educação. Outros 5% afirmaram que passaram por uma seleção técnica e 4% por sistemas mistos, como um concurso prévio que seleciona aqueles que podem ser nomeados.

Em seguida, perguntou-se qual é a melhor forma de contratação de um diretor. E, para 49% dos entrevistados, é a eleição, principalmente porque ela garante o respaldo da comunidade e porque a pressão política é menor. Na opinião de 35%, o caminho deveria ser o concurso público, enquanto a nomeação foi apontada por apenas 5% do total (ou seja, nem mesmo os atuais indicados reconhecem que essa é uma boa forma de escolha).
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A Gestão Escolar e Seus Desafios

Enquanto agentes e educadores imbuídos do desejo peculiar na análise do comportamento de gestores face ao ensino-aprendizagem, convém ressaltar que o conhecimento é imensurável dentro do contexto da metodologia do ensino e do conteúdo programático a que muitos estão de certa forma submetidos.
Por outro lado, a revisão de certos conceitos acadêmicos faz com que diretores (as), supervisores (as) e pedagogos (as) se sintam de alguma forma, desmotivados (as) quando na implantação de uma metodologia didática e estruturante e daquilo que foi exaustivamente debatido durante a longa jornada em sala de aula. Uma vez amplamente discutido de alguma forma, tendo como primeiro plano o riquíssimo acervo bibliográfico, fonte do aprendizado e da experiência adquirida. 
Neste prisma a Educação deve ser encarada como um desafio constante na busca de novas oportunidades e ferramentas ideais na inserção do conteúdo programático, embasado na normatização em vigor e/ou àquilo que a próprio ensino deixa como legado aos profissionais da área.
Necessário se faz romper paradigmas e analisar, planejar e desenvolver projetos pedagógicos que sirvam como fundamento para que a Educação seja repensada de forma crítica, sem o deslumbramento inicial de que obstáculos serão transpostos sem pouca ou nenhuma dificuldade. 
Convém reconhecer o papel do gestor escolar como de fundamental importância não apenas como coordenador de uma instituição, mas, sobretudo como dinamizador das atitudes e do comportamento de todos que o cercam. É imprescindível antever os mecanismos disciplinadores que são o fortalecimento desse elo tão importante na definição das metas diárias, como objeto principal do projeto pedagógico da própria escola.
Sensato seria termos uma Educação justa e que desenvolvesse o senso de equidade de seus membros, formando um ser humano com a auto-estima elevada, crítico, consciente, digno, engajado, solidário, dinâmico, participativo, habilidoso, qualificado, responsável, respeitador e espiritualizado.
Esta Educação tão debatida deve ser vista e revista como um processo comum do ser humano íntegro e integral, que dê valor aos pequenos talentos e progressos e, que trabalhe com conteúdos significativos e, substancialmente, que jamais deixe de buscar meios interessantes para executar todas essas tarefas para muitos, dispendiosas.
Educação ideal é aquela que desenvolve habilidades, aquela cuja pedagogia funda-se na união e cooperação. Educar implica inserir a escola na sociedade, discutindo as interferências de uma para a outra e, também decidir quais são efetivamente os conteúdos pertinentes a serem trabalhados na escola e de que forma isto poderá ser feito.
Abrir espaços pedagógicos para abordar de fato a nossa cultura brasileira, nada mais é que uma questão ética que precisa estabelecer-se na escola, aquela que se revela contra as manifestações discriminatórias de raça, gênero, classe, cultura, credo, dentre outros.
 Apesar deste enfrentamento com a realidade, a presente expectativa de reconhecermos a dimensão histórico-cultural (sempre inacabada) do próprio processo de aprendizagem da história da humanidade, é fato notório. Esta “realidade” do mundo e do homem – não pode ser mais analisada sob o ponto de vista linear.
É preciso reconhecer as contradições que mobilizam os homens, a história e a cultura dentro dessa realidade. Portanto não se trata de ordenar e classificar os fragmentos de histórias, mas, reconhecer os bastidores deste cenário, apontando limites e desafios.
Portanto, através desses conhecimentos adquiridos, interessante se faz observar que a análise da gestão escolar seja uma realidade e a auto-análise a influência no aspecto educacional. Até porque, mesmo com o bom trabalho desenvolvido sempre existirá uma distância da verdadeira escola-modelo, onde essa mesma interaja com a comunidade, os profissionais da Educação, e principalmente o aluno, embasada numa filosofia que corresponda à realidade do aluno com enfoque na dinamização do ensino-aprendizagem sem as interferências de toda ordem.
Mas, alguns aspectos necessitam ser revistos em relação ao convívio interpessoal, no resgate do bom relacionamento, do companheirismo, e na possibilidade de se trabalhar as habilidades de todos os membros da escola. A reorientação das famílias é outro fator fundamental para que a gestão descubra seu papel primordial no grupo social de modo cooperativo, sendo este o ideal de verdadeiro educador.
É importante, também, a inserção de uma gestão participativa que anule o discurso ideológico. Uma vez que de todos os segmentos escolares sobre o valor da democracia, o perfil do gestor, é o que está suscetível às críticas face às ações diárias que propõem uma visão mais próxima da realidade. A isto se atribui a falta de conhecimento de alguns agentes e educadores quanto ao verdadeiro significado da palavra “gestão”, e da verdadeira dimensão que isso implica dentro do universo escolar.
Uma vez observado a diversidade de idéias, opiniões e sugestões, o gestor (a) escolar deve renunciar quaisquer atos de egocentrismo, insegurança e insatisfação que venha a ser disseminado como “mal” aos seus subordinados, alunos, pais e comunidade como um todo inserida nesse contexto.
Neste caso o diretor (a) precisa ter clareza de que sua efetiva presença deverá estar voltada para os objetivos comuns e sua postura pautada na transparência de ações, uma vez que o mesmo organiza e gerencia todas as atividades da escola, evidentemente auxiliado pelos demais componentes.
É importante que o diretor tenha a absoluta convicção da sua responsabilidade, estando, pois, apto a novos e constantes desafios sendo o sujeito vigilante e atuante na promoção de momentos de reflexão, estando aberto ao diálogo e, principalmente procurando estabelecer um conjunto de metas factíveis com a participação dos envolvidos para que a Educação de fato seja globalizada, qualitativa, humanizadora, reflexiva e formadora.

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A educação e a escola no olho do furacão…E o gestor diante disso?

A Educação: Sentidos e Papéis Contraditórios

 As últimas décadas de nossa história têm sido marcadas por inúmeras mudanças de caráter social, político e econômico. Embora tais mudanças apresentem peculiaridades decorrentes das diversas culturas e do poderio econômico desigual que tornam a maior parte das nações reféns de poucas, é interessante refletir sobre algumas dessas alterações que interferem na realidade das escolas, tanto em países desenvolvidos como nos demais, entre os quais, infelizmente se encontra o Brasil. Entre as que mais diretamente afetam o cotidiano escolar, podemos citar as decorrentes da ampliação do número de mulheres que têm acesso ao mercado de trabalho, as que nascem da descrença nas instituições — entre as quais a própria escola —, das profundas alterações nas formas de organização familiar, da degeneração do tecido social e da qualidade de vida — repercurtindo no aumento da violência e do tráfico de drogas, especialmente nos grandes centros urbanos.

É nesse contexto adverso e desafiador que as famílias e a sociedade como um todo, atribuem à escola o papel central pela enorme responsabilidade de educar nossas crianças e jovens, reservando às empresas somente o papel de atualizar os diversos profissionais, de acordo com as demandas do mercado de trabalho; grande parte dessas demandas advêm das novas formas de se lidar com o conhecimento, em conseqüência das TICs – tecnologias de informação e comunicação.

Talvez isso explique porque não precisamos remexer o baú de nossa memória para lembrarmos que quase sempre a educação é um dos itens mais importantes da lista de prioridades de todos aqueles que se candidatam a cargo executivo no Brasil. Isso parece indicar-nos que a sociedade brasileira valoriza a educação e reconhece que ela é elemento indispensável para, entre outras coisas, acabar com nossa indecente desigualdade social e alavancar nosso desenvolvimento. Seria isso mesmo?

Basta que folheemos alguns jornais e revistas ou que ouçamos os comentários veiculados em rádios e noticiários de tevê para que nos deparemos com frases e imagens associadas à educação e à escola que nos levam a duvidar do que acabamos de dizer. Vejamos alguns exemplos entre recentes manchetes de jornais: Paraguai e Uruguai têm porcentagem de graduados maior que Brasil ;

Apenas 13,32% são aprovados no exame da OAB-SP ; Estudo do Inep mostra que 41% dos estudantes não terminam o ensino fundamental ;59% dos alunos na 4ª série têm desempenho precário, diz MEC ; 52% dos alunos da 8ª série têm mau desempenho em matemática, diz MEC 4 .

Para tentar entender melhor o paradoxo presente em nossa cultura com relação ao binômio importância/falta de importância da educação e à complexidade das questões educacionais da atualidade, vamos recorrer a exemplos de dois países desenvolvidos: Inglaterra e França.

Na Inglaterra, por exemplo, na última eleição para o cargo de primeiro-ministro, o Partido Trabalhista — quando Tony Blair se elegeu —,fixou sua imagem na mídia, repetindo que suas três prioridades de governo seriam: educação, educação, educação. Vale dizer que, apesar de suas diferenças, tanto trabalhistas quanto conservadores tinham a educação como plataforma eleitoral. Entre os exemplos de preocupações que ocupavam ingleses nessa época, estavam questões como: a defasagem de dois anos da média de conhecimentos matemáticos das crianças de 11 anos; o fato de 30% dos meninos e 17 % das meninas — considerados todos os adolescentes do Reino Unido entre 14 e 15 anos — irem para a escola portando algum tipo de arma para se proteger.

Textos recentes da mídia francesa , inclusive de sites de órgãos governamentais e associações de educadores, também explicitam as preocupações do país com o tema. Nesse caso, as preocupações com a educação levaram o governo francês a realizar um amplo processo de avaliação do sistema escolar, para o que, em setembro de 2003, o primeiro ministro francês instalou a comissão do debate nacional sobre a escola — responsável pela coordenação de dezenas de milhares de encontros nos meses seguintes, envolvendo diversos segmentos da sociedade. Nessa ocasião ele enfatizou seu objetivo de reconciliar os franceses com o sistema escolar — o grifo é nosso, para chamar-lhe a atenção quanto à tentativa de fazer com que a sociedade “compre” a idéia de que é importante valorizar a escola como instituição. A mídia em geral seguiu dando o devido destaque ao assunto como evidenciam as manchetes dos jornais. La dernière chance de l’école 6, título de editorial do final de 2003, reforça o tom da mensagem do governante relativa ao fato de a sociedade francesa ter uma imagem negativa de seu sistema educacional, o que para nós, brasileiros, beira o inacreditável. Preocupam-se os franceses com o fato de que o contingente dos alunos que têm grande dificuldade de ler oscila entre 15 e 25% – índice esse que não melhora há anos. Também foi motivo de alerta para eles o resultado obtido na avaliação do PISA, programa de avaliação internacional de estudantes de 15 anos, promovido pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Avaliados com relação à sua capacidade de leitura, obtiveram apenas o nível médio, inferior ao de outras nações economicamente menos importantes, conquistando a 15ª posição em um conjunto de 41 países (vale lembrar, com tristeza, que o Brasil ficou entre os últimos, na 37ª posição).

Apesar de serem óbvias as diferenças de magnitude das questões educacionais desses países com relação à nossa ou com as de outros países pobres, vale-nos o consolo de que a natureza dos temas mais preocupantes no Brasil é semelhante à de franceses e ingleses: rendimento escolar precário; violência; baixo nível do ensino. Por outro lado, de todas essas realidades é evidente que emergem os problemas ligados à educação e não as soluções, embora os franceses mobilizem-se em torno delas.

Diante de tudo o que analisamos, talvez nossa tendência como educadores seja a de nos sentirmos culpados pelo que acontece na escola na qual/pela qual trabalhamos. Para evitar que se caia em um raciocínio que nos paralise e nos impeça de entender melhor nosso papel no contexto educacional, devemos entender outros lados dessa questão.

Desafios e oportunidades do gestor escolar

O panorama que descortinamos no início, deixa-nos claro que, se por um lado há muitos problemas a enfrentar, muitos deles inerentes à própria complexidade do processo educativo, há muitas novas oportunidades para quem trabalha em instituições escolares, especialmente no Brasil, onde ainda há um grande contingente de brasileiros à espera de educação de qualidade.

As mudanças na forma de lidar com o conhecimento e o papel que a sociedade atribui à educação, colocam-nos, como educadores que somos, no “olho do furacão”. É nesse contexto que os gestores podem fazer a diferença. Por quê?

Muitos setores de nossa sociedade, ingenuamente exacerbam o papel das TICs, como garantia de acesso ao conhecimento, em detrimento do papel da educação convencional. Diante disso, é importante lembrar que apesar de o acesso à informação ampliar-se de modo acentuado, cabe à escola uma missão fundamental: fazer com que o aluno aprenda a aprender, tarefa essa que implica um processo, pessoal e coletivo, segundo o qual as informações adquirem significados próprios, incorporando-se a um conjunto de conhecimentos estruturados ou, em outros termos, que resultem em aprendizagem.
Nesse aspecto, os estudos mais recentes têm mostrado que não basta investir na formação de professores, levada a cabo em cursos avulsos, descontextualizados do meio em que esses profissionais atuam, uma vez que tais cursos são desprovidos de peculiaridades que permeiam a cultura profissional do professor. Em parte, a dificuldade de os professores procederem à transposição do que aprendem em cursos de formação para sua efetiva ação profissional no cotidiano escolar, decorre de mecanismos, mesmo inconscientes, que os fazem atuar de modo a repetir os modelos de professor, fortemente interiorizados desde o início de sua própria escolarização, do que a sociedade acredita ser a maneira de atuar de um professor e até mesmo da expectativa que os alunos têm do papel do professor.

Se tomarmos por base essa questão, devemos considerar que essas representações profissionais, construídas ao longo da vida dos docentes, certamente não se identificam com uma concepção de professor que atue no sentido de preparar seus alunos para construir aprendizagens a partir do amplo e variado tipo de acesso às informações, pois tal perspectiva educacional só se tornou possível mais recentemente com a expansão das TICs. Assim sendo, o que está em jogo implica substancial mudança de paradigma educacional, pois não se trata apenas de alterar os recursos tecnológicos utilizados no ensino, mas a própria concepção profissional do professor e do papel da escola.

Nessa tarefa de educar, é importante destacar que o professor precisa desenvolver sua capacidade de despertar a vontade de aprender àqueles que ensina e isto, só será viável se “uma criança espontânea e ávida de conhecimento estiver dentro dele”.

Nesse sentido, é essencial refletir sobre o papel da escola, fundamental no sentido de viabilizar ou impedir que a inovação, expressa por uma nova forma de ensinar, facilitada com uso das TICs, incorpore-se à cultura escolar. Por isso é importante combater a tendência ao isolamento e à fragmentação dos vários setores e das diversas tarefas, que costumam impregnar as instituições escolares.

É bom lembrar que a dificuldade de mudar é inerente a qualquer sistema permanente – indivíduos, grupos ou organizações. Ao longo do funcionamento de uma organização escolar surgem e cristalizam-se estruturas de poder e focos de cultura que resistem à mudança. Isso explica o fato de a maior parte da energia disponível nas escolas ser consumida na execução de ações de rotina e na manutenção de suas relações internas, ao passo que, em geral, são muito reduzidos os esforços organizacionais direcionados às questões de diagnóstico, de planejamento, de inovação, de mudança deliberada e de desenvolvimento da instituição escolar.

É urgente, portanto, avançar na direção de uma escola mais apta a enfrentar sucessivos desafios, atuando de modo não fragmentado, isto é, sistêmico. Para a consecução de tal objetivo é preciso analisar as questões da instituição de modo global, uma vez que, segundo SENGE, apud NOVAIS, as organizações funcionam de modo semelhante a um sistema vivo e tanto as características como a integridade, dependem do conjunto.Assim sendo, tanto para entender os mais complicados problemas administrativos, quanto para projetar inovações, é preciso que se veja o sistema por inteiro. Quer dizer, para produzir mudanças em uma organização social como a escola é preciso bem mais do que conseguir mudar a ação individual. Essencialmente trata-se de mudar as formas de interação social, o que só poderá ocorrer se a mudança tiver sentido coletivo.

A instituição escolar pode constituir-se um entrave ou uma alavanca a impulsionar a incorporação de mudanças. Quanto mais as escolas estiverem preparadas para a aprendizagem institucional, garantindo um clima de confiança, de apoio mútuo, de respeito, de espaços institucionais para trocas entre seus vários segmentos, mais a instituição como um todo e cada um de seus membros terão condições de evoluir.

A utilização das TICs como maneira de formar os professores a partir de um projeto voltado à aprendizagem institucional, permite que encolhamos nossos medos e resistências ao novo e por meio de interações entre os educadores possamos pensar na solução de problemas e desafios institucionais mais amplos .

Uma liderança preocupada em atingir o objetivo de construir um grupo institucional cooperativo, pode ser elemento essencial para romper algumas barreiras — solidamente construídas ao longo do tempo — entre profissionais da mesma escola, permitindo que novas composições grupais se constituam, tornando viável o crescimento profissional e institucional. Creio que seja esse o desafio atual que se coloca aos gestores escolares. Se por um lado pode parecer grandioso, caminhar nessa direção, segundo a qual a escola pode fazer a diferença, é sem dúvida, gratificante.

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Gestão E Organização Do Trabalho Escolar: Novos Tempos E Espaços De Aprendizagem

1. INTRODUÇÃO

O planejamento escolar não pode ser conduzido de forma autoritária e centralizadora, uma vez que se pretende instituir uma cultura mais democrática e participativa nos processos desenvolvidos na escola.

A escola precisa elaborar planos de trabalho ou planos de ação onde são definidos seus objetivos e sistematizados os meios para a sua execução bem como os critérios de avaliação da qualidade do trabalho que realiza.

Sem planejamento, as ações da comunidade escolar  irão ocorrer nas circunstâncias com base no improviso,  ou na reprodução mecânica de planos anteriores e sem avaliar os resultados do trabalho. A falta de planejamento leva a equipe gestora a se especializar em apagar incêndios, mas, nem todos os incêndios podem ser apagados sem que haja sérios prejuízos.

Uma gestão democrática não se constrói sem um planejamento participativo, que conte com o envolvimento dos segmentos representativos da comunidade escolar nos processos de tomada de decisão, bem como na definição de metas e estratégias de ação. A participação dos diferentes segmentos da comunidade escolar nesse processo é fator relevante para o seu sucesso, pois agrega ao planejamento o compromisso e a co-responsabilidade na consecução de metas e objetivos definidos.

 

 

2. NOVOS CONTEXTOS, NOVAS DIFICULDADES, GRANDES DESAFIOS

 

Mais que uma atividade burocrática, mais que o zelo de normas legais preestabelecidas é uma atividade essencialmente política e pedagógica ou político-pedagógica, como nos afirma Freire.

As transformações que o mundo em geral, a sociedade brasileira e a escola em particular têm vivenciado apontam para o aguçamento dessas dimensões e desconhecê-las pode ser além de um grave erro político pedagógico, um entrave real ao avanço da escola e do processo de ensino-aprendizagem por ela desenvolvido.

Essas transformações são de toda ordem: econômicas, políticas culturais e atingem os mais diversos sujeitos.

As estatísticas apontam que a grande maioria das crianças em idade escolar está dentro da escola, porém apontam inicialmente a repetência e evasão e posteriormente as “dificuldades de aprendizagem” das nossas crianças e adolescentes.

Professores queixam-se de que não sabem como trabalhar com essas dificuldades, caracterizando que essas crianças apresentam déficits culturais, desestruturadas emocionalmente, etc.

Com isso, faz-se necessário a escola refletir sobre seus alunos, sendo uma premissa essencial para uma direção que se pretende democrática na radicalidade total do termo: reconhecimento dos alunos enquanto sujeitos socioculturais e retira-los da subumanidade a que muitas vezes estão submetidos. Além disso assumir uma atitude democrática radical implicada em não retirar-lhes o estatuto da cidadania do ser humano. São diferentes, sim, mas não inferiores.

 

Resumamos. Não há sujeito de saber e não há saber senão em uma certa relação com o mundo, que vem a ser, ao mesmo tempo e por isso mesmo uma relação com o saber. Essa relação com o mundo é também uma relação consigo mesmo e relação com os outros (Charlot, 2000:63)

 

 

No ato de educar, estabelecer um diálogo entres saberes e não repetir a velha tradição da educação bancária tão denunciada por Paulo Freire que intenta inculcar saberes previamente dignificados nos alunos. E dialogar não significa não apresentar-lhe outros saberes, mas partir, como diz Freire, “do saber da experiência feita”

Arroyo (2000b: 131) aponta que o direito à educação e à cultura tem de superar a lógica do mercado e da sobrevivência. (…) O campo do mercado não é bom conselheiro para enfrentar problemas que tocam o campo dos direitos.

Não há como falar de cultura de uma forma singular, mas de culturas. E, se há diferentes culturas, o respeito, o reconhecimento e a troca devem fazer parte do cotidiano escolar.

Cotidiano esse que deve se transmudar, que não reconhecerá a cultura do negro, do índio, do nordestino, dos habitantes da área rural apenas em datas comemorativas, concretizando aquilo que, no jargão educacional, chamamos de currículo turístico. E ainda buscará a explicitação, a contribuição, a participação de toda a comunidade escolar, em especial dos alunos em atividades diversas.

As estratégias são várias e diversos educadores têm buscado fazê-las: de entrevistas com os pais e integrantes da comunidade a perfis dos alunos, de dinâmicas de apresentação a verdadeiros teatros, shows, etc., onde os educandos apresentam o cotidiano da sua vida, suas expectativas, seus gostos, suas artes. Além de atividades onde os sujeitos falam, tem voz e vez e não onde se sintam silenciados e silenciosamente ou agressivamente reagem à negação da sua expressão e do seu ser.

Se os alunos são sujeitos do saber, também o são os professores. E, assim como seus alunos, constroem e adquirem saberes em diversos espaços e tempos, especialmente no trabalho. E quanto a isso é preciso constatar – mesmo sob controle intenso, o professor, se não incorporar a necessidade da mudança prática docente, continuará repetindo aquilo que julga eficaz e suficiente para aprendizagem dos alunos.

A questão do diálogo, do clima de troca e a cumplicidade se fazem importante numa escola radicalmente democrática. Reconhecer os docentes como sujeitos do processo de ensino-aprendizagem, como educadores em toda a dimensão do termo, é essencial.

Assim, deve-se levar em conta os saberes docentes, a sua experiência, inserí-los mesmo na gestão político-pedagógica da escola é vital para uma organização mais dinâmica, mais rica do trabalho escolar.

O ponto central do trabalho pedagógico é o conteúdo escolar e a organização central para trabalha-lhos é a sala de aula. Cada docente é responsável por um conteúdo ou disciplina e os espaços de interação interdisciplinares são escassos e empobrecidos.

A organização da instrução pública funcionava sob outra lógica: os professores lecionavam para alunos, num mesmo ambiente, em estágios diferentes de conhecimento sobre determinado conteúdo escolar.

Com a industrialização e consolidação da sociedade capitalista ocorre a demanda por uma força de trabalho mais escolarizada. E as escolas isoladas vão sendo identificadas com o atraso e pouca eficácia da escola.

Ribeiro destaca que é preciso ousar formas de enturmação e de organização do tempo escolar, mais condizentes com uma educação enquanto processo de humanização, menos humilhante e desgastante para o aluno.

Se os ciclos se centram no sujeito, na sua formação por inteiro, é mais compatível com uma educação capaz de valorizar e incorporar outros espaços em tempos de aprendizagem, portanto, de dialogar com outros saberes para além dos saberes sistematizados ou saberes escolares.

 

 

3. GESTÃO DA SALA DE AULA: O “MANEJO DE CLASSE” COM NOVA ROUPAGEM?

 

…à “gestão “ da sala de aula

O momento histórico que convivemos é de crucial importância para a educação brasileira, educação para o indivíduo e para o país, o desempenho de nossos alunos, constatado em testes nacionais e internacionais, tem sido lamentável.

As transformações decorrentes dos esforços de construção de um Projeto Político Pedagógico para cada unidade escolar, são já bastante significativos, mas a sala de aula ainda é uma célula cuja organização interna ainda é muito dependente da competência (ou incompetência) do professor.

Quando os professores se queixam das dificuldades encontradas na recuperação de sua autoridade frente aos alunos, não o fazem sem razão: ninguém, concordaria que se pode fazer educação sem um mínimo de ordem e harmonia dentro da sala de aula.

O desafio é restaurar a autoridade do professor, sem que recorra a métodos autoritários de condução do ensino e que se considere a necessidade de bem gerenciar todos os conflitos que estão instalados em qualquer instância de exercício de poder.

Resta ao professor exercer a sua liderança de forma democrática como acontece em uma escola que se pretende democrática também. A liderança democrática implica negociação, acordo, estabelecimento coletivo de normas, regras, padrões. Implica delegação de responsabilidades e atribuição de tarefas.

Uma boa maneira de fazer educação é ouvir os clássicos, que deixaram marcas notáveis num campo do saber.

Uma gestão democrática supõe acordos, negociações, participação, na construção de projetos coletivos como garantia de sucesso dos mesmos.

É preciso prover para que os laços de dependência entre aluno e professor se tornem cada vez mais tênues, pensando nas transformações da relação professor aluno, numa trajetória que se iniciou no jardim da infância e caminha até pós- graduação.

Um grande auxiliar do professor na criação deste ambiente rico – desafiador, desencadeador de aprendizagem, são os métodos e técnicas de ensino ativo. O ensino por projetos, por exemplo, é uma metodologia  que vem oferecendo ótimas oportunidade de aprendizagem a estudantes em qualquer nível de ensino, pela possibilidade de significação e contextualização.

Técnicas como a exposição dialogada, a demonstração, a observação, a experimentação, a entrevista, as excursões, o trabalho em grupos homogêneos ou diversificados, o seminário, o painel são algumas das enumeras técnicas que podem tornar a sala de aula mais atraente, auxiliando o professor na tarefa de conseguir o engajamento dos alunos em atividades educativas.

 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Uma escola democrática não é aquela em que todos fazem o que querem, mas sim aquela em que todos fazem o que é bom para todos, gerindo democraticamente uma sala de aula e criando condições de respeito mútuo de aprendizagem para todos os alunos, respeitando-lhes as diferenças e trabalhando-as em benefícios deles mesmos.

Cabe a escola colocar ao alcance de todos o patrimônio cultural da humanidade, uma escola democrática inclusiva que se proponha formar cidadãos lúcidos, críticos , honestos, competentes, cônscios, de seus direitos e seus deveres.

Percebemos que o estudo das práticas de organização e de gestão da escola é indispensável para a construção de uma escola democrática e participativa, que prepare os alunos para a cidadania plena. Bem como as  formas de gestão e de tomada de decisões, as competências e procedimentos necessários à participação eficaz na vida da escola, incluindo a elaboração e discussão pública do projeto pedagógico.

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Gestão Escolar: Educação Democrática

A gestão educacional passa pela democratização da escola sob dois aspectos: a) interno que contempla os processos administrativos, a participação da comunidade escolar nos projetos pedagógicos; b) externo ligado à função social da escola, na forma como produz, divulga e socializa o conhecimento. A partir da análise de alguns trabalhos recentes (pesquisas realizadas na área de gestão educacional) o estudo pretende trazer suporte teórico para uma reflexão sobre o tema de forma que seja possível ultrapassar o nível de entendimento sobre gestão como palavra recente que se incorpora ao ideário das novas políticas públicas em substituição ao termo administração escolar. O fato de que a idéia gestão educacional desenvolve-se associada a um contexto de outras idéias como, por exemplo, transformação e cidadania. Isto permite pensar gestão no sentido de uma articulação consciente entre ações que se realizam no cotidiano da instituição escolar e o seu significado político e sócia.
A valorização da escola privada como solução para democratização da educação estão comprometendo algumas conquistas gestadas por ocasião da Constituição Cidadã de 1988. Não há dúvida que o movimento de gestão democrática da educação avançou nas décadas de 80 até meados da década de 90. Hoje, este movimento sofre retrocessos, embora a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9.394 de 20 de dezembro de 1996 tenha confirmado a participação não só na gestão da escola, mas também na construção do projeto político pedagógico, de acordo com a regulamentação em leis municipais. No entanto esta participação não se consolidou na gestão da educação e muito menos nas propostas pedagógicas das escolas. Três motivos explicam esta situação precária da gestão da escola. Primeiro, o projeto político conservador que está embutido nas práticas administrativas.
A administração ou é excessivamente burocrática e controladora privilegiando a uniformidade, disciplina e homogeneidade dificultando qualquer gesto de criatividade ou incorpora práticas de programas empresariais de qualidade total. Segundo, a falta de formação ética e política dos gestores eleitos privilegiam interesses privados em detrimento dos coletivos e públicos. Terceiro, a confusão estabelecida pelo pragmatismo das políticas neoliberais de privatização no setor administrativo público, de tal forma que nem dirigentes em seus cargos administrativos nem dirigidos conseguem distinguir mais o que é público e o que é privado. Como construir neste contexto uma participação democrática na gestão e na construção da proposta pedagógica da escola? Os governos neoliberais entendem que propostas de participação da comunidade na administração das escolas devam ser através de programas como: Amigos da Escola?,Dia da Família na Escola?, Escolas de Paz?. Associações de Apoio à Escola? e Organizações não governamentais?. Os educadores e pesquisadores entendem que não é suficiente permanecer na denúncia. Isto a mídia o faz muito bem.
É fundamental lutar para manter as conquistas democráticas constitucionais. É preciso ir além e se comprometer com uma construção democrática cotidiana em diferentes setores da sociedade e do Estado. As práticas do cotidiano escolar constituem um horizonte para o surgimento, crescimento e consolidação de um projeto democrático alternativo. A investigação das práticas docentes, administrativas e culturais é este horizonte que aponta uma direção. Afinal, a quem servem estas práticas? Que projeto de sociedade e de Estado está embutido no diálogo dos educadores e educandos? Que significado possui a interlocução entre saberes acadêmicos e saberes de experiência feitos? conforme ensinara Paulo Freire?
A LDB, em seus artigos 14 e 15, apresentam as seguintes determinações: Art. 14 Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:

I. participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola;
II. participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. Art. 15 Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas de direito financeiro público. Cabe aqui, nesta regulamentação o princípio da autonomia delegada, pois esta lei decreta a gestão democrática com seus princípios vagos, no sentido de que não estabelece diretrizes bem definidas para delinear a gestão democrática, apenas aponta o lógico, a participação de todos os envolvidos. Nesse ínterim, o caráter deliberativo da autonomia assume uma posição ainda articulada com o Estado. É preciso que educadores e gestores se reeduquem na perspectiva de uma ética e de uma política no sentido de criar novas formas de participação na escola pública, tais como ouvindo, registrando e divulgando o que alunos e comunidade pensam, falam, escrevem sobre o autoritarismo liberdade da escola pública e as desigualdades da sociedade brasileira. É tecendo redes de falas e de registros, ações e intervenções que surgirão novos movimentos de participação ativa e cidadã.

O novo paradigma da administração escolar traz, junto com a autonomia, a idéia e a recomendação de gestão colegiada, com responsabilidades compartilhadas pelas comunidades interna e externa da escola. O novo modelo não só abre espaço para iniciativa e participação, como cobra isso da equipe escolar, alunos e pais. Ele delega poderes (autonomia administrativa e orçamentária) para a Diretoria da Escola resolver o desafio da qualidade da educação no âmbito de sua instituição. Em certa medida, esta nova situação sugere o papel do último perfil de líder mencionado: o que enfrenta problemas “intratáveis”, cuja solução não é técnica, mas de engajamento e sintonia com o grupo que está envolvido e que tem muito a ganhar com a superação do desafio. No caso da escola, a qualidade da educação é interesse tanto da equipe escolar, quanto dos alunos e de suas famílias (além do Estado, das autoridades educacionais e da nação como um todo). Sua melhoria depende da busca de sintonia da escola com ela mesma e com seus usuários.
Uma escola de qualidade tem uma personalidade especial, que integra os perfis (aspirações e valores) de suas equipes internas, alunos, pais e comunidade externa. Desenvolvimento profissional de professores e funcionários. Estados planejaram investir em programas de capacitação de professores e dirigentes escolares,Incluiu um programa de capacitação em liderança de escolas estaduais inovador baseado na escola. O enfoque da capacitação prático e não teórico. Os programas e seu material de apoio são desenvolvidos por grupo de treinamento central. O objetivo dos estados participantes é reforçar o conteúdo de capacitação e desenvolver escolas para demonstração. O fator crítico para o alcance do objetivo do estado é de descentralizar o processo divisório das escolas. Por que incentivar o desenvolvimento dos professores e funcionários. As duas razões principais para que se tenha uma forte ênfase ao desenvolvimento dos funcionários e professores são: crescimento profissional e desenvolvimento pessoal.
Os funcionários devem se sentir motivados para treinar e aprender mais na área em que atua, isto vai ser lucro para ambas as partes escola e funcionário.
Os diretores poderão crescer mais em seus projetos e desenvolver cada vez melhor seu “perfil”, sendo capaz de solucionar problemas com decisões certas.
Porque sem este desenvolvimento os diretores tomavam decisões baseadas apenas em experiências e muitas vezes sem dinâmicas e sem percepção.
Estratégias participativas do desenvolvimento de pessoal.Tanto os professores como os gestores devem ser envolvidos na concepção de programas de desenvolvimento de pessoal. Há cinco elementos chave de urna abordagem participativa de desenvolvimento pessoal.

1 – Consultar o pessoal sobre o que consideram necessário para promover o seu próprio crescimento e aprimorar o seu desempenho.

2 – Retribuir eu reconhecer o tempo dedicado à participação em atividades de desenvolvimento de pessoal

3 utilizar os quatro princípios de programas de capacitação eficazes. Esses princípios são:

a). envolver os participantes na apresentação de concertos, idéias, estratégias e técnicas.
b). planejar a aplicação dos conceitos acima.
c) Dar aos participantes feedback sobre o uso de novos conceitos.
d) Permitir que os participantes aplicassem seus novos conhecimentos.

4 Certificar-se de que o diretor da escola está presente e participar de todos os programas realizados em serviços.

5 Acompanhar a utilidade de cada atividade de desenvolvimento profissional, apôs a realização da mesma.

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Gestão Escolar – Introdução

O conceito de Gestão Escolar – relativamente recente – é de extrema importância, na medida em que desejamos uma escola que atenda às atuais exigências da vida social: formar cidadãos, oferecendo, ainda, a possibilidade de apreensão de competências e habilidades necessárias e facilitadoras da inserção social.
Para fim de melhor entendimento, costuma-se classificar a Gestão Escolar em 3 áreas, funcionando interligadas, de modo integrado ou sistêmico:

Gestão Pedagógica Gestão de Recursos Humanos Gestão Administrativa
Gestão Pedagógica Gestão de Recursos Humanos Gestão Administrativa

1. Gestão Pedagógica

É o lado mais importante e significativo da gestão escolar. Cuida de gerir o área educativa, propriamente dita, da escola e da educação escolar.
Estabelece objetivos para o ensino, gerais e específicos. Define as linhas de atuação, em função dos objetivos e do perfil da comunidade e dos alunos. Propõe metas a serem atingidas. Elabora os conteúdos curriculares. Acompanha e avalia o rendimento das propostas pedagógicas, dos objetivos e o cumprimento de metas. Avalia o desempenho dos alunos, do corpo docente e da equipe escolar como um todo.

Suas especificidades estão enunciadas no Regimento Escolar e no Projeto Pedagógico (também denominado Proposta Pedagógica) da escola. Parte do Plano Escolar (ou Plano Político Pedagógico de Gestão Escolar) também inclui elementos da gestão pedagógica: objetivos gerais e específicos, metas, plano de curso, plano de aula, avaliação e treinamento da equipe escolar.

O Diretor é o grande articulador da Gestão Pedagógica e o primeiro responsável pelo seu sucesso. É auxiliado nessa tarefa pelo Coordenador Pedagógico (quando existe).

2. Gestão Administrativa

Cuida da parte física (o prédio e os equipamentos materiais que a escola possui) e da parte institucional (a legislação escolar, direitos e deveres, atividades de secretaria).

Suas especificidades estão enunciadas no Plano Escolar (também denominado Plano Político Pedagógico de Gestão Escolar, ou Projeto Pedagógico) e no Regimento Escolar.

3. Gestão de Recursos Humanos

Não menos importante que a Gestão Pedagógica, a gestão de pessoal – alunos, equipe escolar, comunidade) constitui a parte mais sensível de toda a gestão.

Sem dúvida, lidar com pessoas, mantê-las trabalhando satisfeitas, rendendo o máximo em suas atividades, contornar problemas e questões de relacionamento humano fazem da gestão de recursos humanos o fiel da balança – em termos de fracasso ou sucesso – de toda formulação educacional a que se pretenda dar consecução na escola.

Direitos, deveres, atribuições – de professores, corpo técnico, pessoal administrativo, alunos, pais e comunidades – estão previstos no Regimento Escolar.

Quando o Regimento Escolar é elaborado de modo equilibrado, não tolhendo demais a autonomia das pessoas envolvidas com o trabalho escolar, nem deixando lacunas e vazios sujeitos a interpretações ambíguas, a gestão de recursos humanos se torna mais simples e mais justa.

A organização acima – gestões pedagógica, administrativa e de recursos humanos – correspondem a uma formulação teórica, explicativa, pois, na realidade escolar, as três não podem ser separadas mas, isto sim, devem atuar integradamente, de forma a garantir a organicidade do processo educativo.

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